Atividade aproximou estudantes de Direito da rotina do Judiciário amazonense, com apresentação da estrutura e do funcionamento do Tribunal.

Romper os limites dos livros doutrinários e vivenciar o pulsar real da Justiça. Com esse espírito, a Escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esmam) encerrou, na última quarta-feira (21 de outubro), o cronograma de atividades do projeto Portas Abertas 2026. O encerramento desta temporada foi marcado por uma imersão de acadêmicos de Direito e integrantes do Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) da Faculdade Santa Teresa nos bastidores e nas sessões do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
A primeira parte da programação foi uma palestra interativa conduzida pela juíza de Direito Juline Rossendy Neres. Prestes a completar nove anos de carreira, a magistrada compartilhou suas experiências na bancada e propôs um desafio prático que empolgou os estudantes: a análise conjunta de um caso concreto real.
“Tive a oportunidade de compartilhar vivências e promover uma reflexão sobre as dores e os sabores da função de julgar. A interação na análise do caso concreto demonstrou a importância de aproximar o Judiciário da academia, contribuindo para uma formação jurídica mais crítica, humana e consciente”, destacou Juline.
Pelos corredores do poder: gabinetes, togas e plenários
Após a palestra, os estudantes deixaram o auditório para desbravar a estrutura orgânica do tribunal. Guiados pelo diretor da Esmam, o desembargador Flávio Humberto Pascarelli, e pelo desembargador Marco Aurélio de Lima Choy, os futuros juristas visitaram gabinetes estratégicos, o Tribunal Pleno e a Sala de Togas.
Pascarelli e Choy explicaram a dinâmica de funcionamento das Câmaras Reunidas, detalharam os ritos das sessões de julgamento e relembraram casos históricos que passaram por suas mãos.
Para a professora Lúcia Viana, coordenadora do curso de Direito da Faculdade Santa Teresa, a experiência consolida o aprendizado de forma única: “Qual é o estudante de Direito que não se sente fascinado ao ser inserido fisicamente nesse contexto? Eles saem do auditório direto para o gabinete do desembargador e para as Câmaras. Voltam para a faculdade realmente transformados sobre como a engrenagem da Justiça funciona na prática”.
A coordenadora do NPJ, professora Mônica Dias, endossou o impacto da iniciativa criada por Pascarelli: “É uma grande imersão prático-jurídica. O projeto proporciona aos nossos alunos a chance rara de conhecer de perto o dia a dia e o percurso técnico dos magistrados e desembargadores. Uma experiência de valor inestimável”.
Da teoria à realidade palpável
Para quem está prestes a ingressar no mercado de trabalho, a visita funcionou como uma injeção de combustível profissional. É o caso de Elena Brito, que já concluiu a graduação e acompanha as atividades por meio do Núcleo de Práticas Jurídicas.
“A teoria que aprendemos em sala precisa dessa oportunidade de virar prática. Ver o andamento das atividades diretamente nas Câmaras nos faz enxergar o Direito para além do óbvio. Saio daqui muito mais enriquecida de conhecimento e motivada”, celebrou a bacharela.
Saldo positivo e olhos voltados para 2027
Ao fazer o balanço do encerramento do ciclo de 2026, o coordenador de projetos sociais da Esmam, Andress Cavalcanti, não escondeu o sentimento de dever cumprido. Para ele, o projeto se consolidou como uma ponte vital de transparência e cidadania entre o tribunal e a sociedade civil amazonense.
“Terminamos o ano com a certeza de que o Portas Abertas cumpre rigorosamente o seu propósito. Foram centenas de estudantes que, ao longo de 2026, puderam olhar nos olhos dos magistrados, tirar dúvidas e desmistificar a carreira jurídica. Esse brilho nos olhos dos acadêmicos é o que nos motiva a fortalecer e ampliar o projeto nos próximos anos”, concluiu Andress.
Rebeca Artiagas, sob supervisão e edição de Ramiro Neto.
Revisão gramatical: Eliza Maria Luchini
Fotos: Chico Batata


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