Profissionais de saúde da prefeitura orientam sobre como prevenir e cuidar em casos de choque térmico

Os sucessivos recordes de temperatura na capital elevam o risco de choque térmico, que ocorre quando o corpo não consegue regular sua temperatura, em razão do calor excessivo e de variações térmicas. A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), orienta a população sobre como prevenir e ofertar cuidado a pessoas acometidas pelo agravo, capaz de causar desde dor de cabeça e náusea até perda da consciência, infarto e outras complicações.

A diretora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) da Semsa, enfermeira Elen Assunção, assinala que as pessoas com sinais de choque térmico devem receber atenção imediata, pois podem sofrer agravos críticos por conta de sobrecarga nos sistemas cardiovascular e respiratório.

“Em muitos casos, a pessoa pode ter apenas um desconforto leve e temporário, mas é importante não descuidar desses sinais, a fim de se evitar complicações mais sérias, em especial entre crianças, idosos e outros públicos mais vulneráveis”, aponta a gestora.

Conforme a chefe do Núcleo de Educação em Urgência do Samu, enfermeira Lêda Sobral, as temperaturas elevadas experimentadas atualmente decorrem de mudança climática, agravada pelo fenômeno El Niño, e têm impacto direto na saúde. Isso porque o corpo, ela explica, tenta se adaptar às variações térmicas, promovendo alterações cardíacas, respiratórias e neurológicas, de leves a graves.

O calor excessivo pode levar também à intermação, condição médica grave na qual o corpo não consegue dissipar o calor e a temperatura corporal ultrapassa os 40ºC.

“Nesses casos, a pessoa pode apresentar desde mal-estar, náusea, tontura, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, rebaixamento do nível de consciência, ou mesmo convulsão e coma”, informa a servidora.

Diante desses sinais, Lêda recomenda remover a pessoa para um local mais fresco e ventilado, afrouxar e retirar roupas em excesso, e favorecer o resfriamento do corpo utilizando ventiladores e aplicando panos de água fria na testa e pescoço. Caso ela esteja consciente e alerta, pode-se oferecer água, em pequenos goles.

“Se a pessoa exibir sintomas mais graves, como desmaio, convulsões, confusão mental, dificuldade na fala, vômito forte e febre alta, acione o Samu imediatamente pelo 192”, orienta a enfermeira.

Cuidados e prevenção

Conforme Lêda Sobral, para evitar os agravos decorrentes das variações térmicas e do calor, a recomendação é consumir bastante água, buscar ambientes mais frescos e ventilados, e evitar variações bruscas de temperatura.

“Evite ainda transitar entre ambientes extremos, do muito quente para o muito frio, e vice-versa, buscando sempre um espaço de meio termo. Use roupas mais leves, de preferência de cores claras, e pratique atividades físicas em horários de calor menos intenso”, ela sugere.

Esses cuidados devem ser redobrados, observa a enfermeira, em se tratando de crianças, idosos e pessoas com obesidade, diabetes, hipertensão arterial e outras condições crônicas. “Trabalhadores que laboram em locais confinados ou expostos ao calor também são mais suscetíveis e precisam se hidratar mais e buscar locais ventilados”.

Mitos

Lêda Sobral desfaz um mito comum relacional às variações bruscas de temperatura: a de que elas podem causar paralisia facial. A enfermeira esclarece que a paralisia de Bell é associada a doenças infecciosas, capazes de levar à inflamação do nervo facial e provocar fraqueza ou paralisia em um dos lados da face.

“Esse agravo não decorre de situações como acordar com corpo quente e pisar no chão frio, ou abrir uma geladeira, isso é um mito. Em todo caso, é importante que a pessoa busque diagnóstico médico o mais cedo possível, para ter recuperação mais rápida e evitar sequelas”, conclui.

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Texto – Jony Clay Borges / Semsa

Fotos – Divulgação / Semsa


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